Óleo sobre tela
Pintado pela pintora Adelaide Moça
Tamanho 60*90
Valor 450.00
I - O INTERIOR DA IGREJA.
Chama-se "dos clérigos" porque foi construída de 1731 a 1749 para sede de uma irmandade ou associação (resultante da fusão de três numa só) que tinha como objectivo a ajuda espiritual, e material aos clérigos pobres. Por "clérigo" entenda-se todos os sacerdotes, bem como os que se preparavam para o sacerdócio, a partir da Prima Tonsura.
De todos os projectos das obras e inspecção respectiva, se encarregou NICOLAU NASONI (1691-1773), um pintor-decorador toscano, que tão bem se houve como arquitecto e que riscou e acompanhou as obras,GRATUITAMENTE, ao longo de trinta anos, pelo menos. O último trabalho que arquitectou e que é a sua obra prima, como do bauoco portuense, é a TORRE DOS CLÉRIGOS.
Em síntese, podemos adiantar que decoração bauoca, faustosa, + granito duro do norte = Nasoni!
Repare-se na nave da Igreja que apresenta uma forma elíptica, uma novidade. A abóbada, de mármore, está talhada em 12 gomos, correspondentes a outras tantas colunas de granito, em que se apoia. Ao meio, no centro da abóbada, um escudo, de forma elíptica e de granito, ostenta o monograma AM (=Ave Maria)
as chaves de S. Pedro, a mitra papal e vária folhagem. Sugere a Igreja erigida sobre a rocha (=Pedro) com Maria, mãe da Igreja e padroeira da igreja, sob a invocação da Senhora da Assunção.
A talha dos retábulos, púlpitos e tribunas, é de estilo "barroco-rocócó".
Nasoni foi aceite, a seu pedido, aos 52 anos, como irmão-leigo da Irmandade, "por ter sido o Mestre das obras do nosso templo, há tantos anos, sem levar paga alguma". Está sepultado na "sua" Igreja, algures, da zona dos púlpitos para baixo, como mandavam os Estatutos, para o caso dos "irmãos-leigos".
Na CAPELA-MOR, refeita pela 2ª vez, para ficar mais ampla, repare no retábulo construído com mármores de quatro cores o que lhe confere particular imponência estética.
No sopé do trono, os restos mortais completos, do mártir santo Inocêncio, oferta em 1752, do Patriarca de Lisboa.
Os cadeirais são de jacarandá, lavrado, estilo Luís XV; dois órgãos com óptima talha; as tribunas apresentam belos frontões de mármore lavrado. À sua direita, junto às escadas do altar-mor não deixe de reparar no esplendoroso sacrário, que servia em quinta-feira santa, risco bem barroco de Nasoni.
II - FRONTARIA DA IGREJA.
Não deixe de contemplar a Frontaria da Igreja, virada a sul, para a Rua dos Clérigos. Tem dois "andares"; no primeiro, há janelões centrais e laterais sobrecarregados, à volta, com ornatos vegetais e plantas e separados por pilastras de capitéis fantasiados. Um recanto dum jardim... de granito.
Por debaixo do primeiro "andar", fica a capela de Nossa Senhora da Lapa, sem comunicação para a Igreja. No segundo "andar" há um janelão, a meio, cuja repisa se ergue em base almofadada, para assento da mitra papal (emblema de S. Pedro); de cada lado
as imagens de calcário de S. Pedro e S. Filipe de Nery, porque padroeiros de duas das três irmandades já referidas, colocados em nichos com sobrecéus em concha. O frontão triangular, com o monograma AM (Ave-Maria) sob docel, cercado de folhagem, festões e colunas.
No mais alto, a cruz patriarcal com palmas e ladeada de fogaréus - o "jardim granítico" de Nasoni...
III - A TORRE DOS CLÉRIGOS
Iniciada em 1754, estava construída nove anos depois, em 1763. É a torre mais alta de Portugal, com seis andares e 76 metros de altura. É tida como o ex-libris da Cidade do Porto.
Por barroquismo, ou arte barroca, entende-se o tipo de arte que surgiu, entre nós,nos séculos 17 e 18 e que se caracteriza pela abundância da decoração, pelo deslumbramento da decoração, de que a Torre é um caso paradigmático.
Uma escadaria de 225 degraus dá acesso aos varandins do último andar donde se pode gozar um panorama deslumbrante. Reparemos nos seis" andares" da Torre.
CORPO PRINCIPAL
1º andar - Por cima da porta exterior da Torre vê-se uma imagem de S. Paulo e abaixo, dentro dum medalhão, um texto de S. Paulo, na Carta aos Romanos. Neste 1º"andar" a espessura das paredes, de granito, mede dois metros e vinte centímetros.
2º andar - No segundo andar avulta uma janela oval. Uma estrutura forte para dar segurança ao arrojo da torre.
3º andar - Há quatro sineiras e aí está instalado o carrilhão de concerto, utilizando 49 sinos. Um computador controla o carrilhão, marcando as horas e debitando a música por meio de 4 processos. Está programado para tocar ao meio dia e às 18 horas, está ligado a um relógio atómico, na Inglaterra ou na Alemanha; o computador capta as ondas emitidas e organiza as horas a partir desses relógios.
4º andar - apresenta uma janela abalaustrada, na face sul, e quatro mostradores de relógio.
Já agora... não fique por aqui. Suba um pouquito mais ao CORPO TERMINAL para desvendar, como Torga disse, de Galafura, o "belo absoluto" !
Logo ao deixar as escadas, divisam-se as torres da Igreja da Lapa: um pouco para a direita, a torre branca da Igreja da Senhora da Conceição, ao Marquês; um pouco mais altaneiras, as torres do Bonfim; mesmo à sua frente, logo em baixo, o edifício da Câmara do Porto, com a simpática Praça da Liberdade.
Siga pela direita e tem diante de si o Porto antigo, aninhado junto à Sé; ao lado, o imponente Paço Episcopal e Igreja dos Grilos; logo adiante o Rio Douro e as Caves do Vinho do Porto.
A cortar o horizonte, o Monte da Virgem, com as antenas da Tv e dos Correios. Siga pela direita, vertente sul; em baixo, o Jardim da Cordoaria, a antiga Cadeia da Relação, o Mosteiro de S. Bento. Mais longe a Ponte da Arrábida. Agora, a parte final; por trás de si, uma cancela fechada dá acesso ao cume da torre. Lá em baixo a Faculdade de Ciências; algo à esquerda as torres geminadas das igrejas do Carmo e das Carmelitas. Mesmo em frente,o Shoping Center dos Clérigos. Para além do que se diz, é todo um Porto visto de cima, um Porto que nem se imagina, projectado para os lados de Gaia, de Gondomar, Maia, Boavista, até ao mar... até aos apelos do mar!
Horários de visita: Inverno - Das 10.00 ás 12.00 e das 14.00 ás 17.00 Verão - Das 09.30 ás 13.00 e das 14.30 ás 19.00 no Mês de Agosto, a Torre encontra-se aberta das 10.00 ás 19.00 horas ininterruptamente.
Preço visita : 2 Euros
Dada a importância deste conjunto arquitectónico, que representa sem dúvida o principal ex-libris da Cidade do Porto, socorri-me de textos e informações, contidas em obras editadas pelo Comércio do Porto ( Porto Património Mundial - Livro de Ouro) e de um panfleto que se pode adquirir numa visita á Torre dos Clérigos. Posto isto, aqui vai a história.
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS - ALL RIGHTS RESERVED
NICOLAU NASONI E A TORRE DOS CLERIGOS
O seu nome e estilo, ficaram indelevelmente ligados a esta monumental torre por ele concebida, mas também pela beleza plástica que exprime, nomeadamente a torre, uma das melhores da Europa.
Todo o conjunto, englobando a Igreja, a casa dos Clérigos ( enfermaria e casa do despacho ) e a Torre, foi construído no séc. XVIII, durante um longo período de 47 anos, recheados de várias dificuldades e contrariedades, derivadas do terreno em que se ergue, de erros de construção e questões judiciais que foram surgindo. A Igreja começou a ser edificada em 1732, sendo dada como concluída em 1749; no entanto, só foi benzida em 12 de Dezembro de 1779, porque a capela-mor teve de ser totalmente refeita, devido ás modificações radicais e ampliação de que foi alvo, em relação ao projecto primitivo. Em 1750, iniciaram-se as obras da Casa do Clérigos ( que ligava a igreja á torre e ficou concluída em 1759 ); Em 1754 começou a ser construída a torre que ficou terminada em 1763. De 1767 até 1773 procedeu-se à referida reconstrução da capela-mor, seguindo-se outros pequenos arranjos, vindo as obras a ser dadas como inteiramente concluídas em 1779, com a sagração da igreja ( dedicada a N. Sra. da Assunção ) pelo Bispo D. Frei João Rafael de Mendonça.
A Irmandade dos Clérigos Pobres, criada em 1707, resultou da fusão de três confrarias similares preexistentes, que desenvolviam, na Santa Casa da Misericórdia, uma actividade paralela e similar em favor do clero pobre ; a Confraria de S. Pedro ad Vincula, a Congregação de S. Filipe de Nery e a Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia. Após a fusão o nome da Irmandade passou a ser o de Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia, S. Pedro e S. Filipe de Nery. Simplificando-se esta designação, mais tarde, para Irmandade dos Clérigos. Reunindo na Casa da Misericórdia desde 1707, a nova Irmandade, pretendendo ter sede própria, tratou logo de concretizar esse objectivo, quando lhe foi oferecido, em 1731, um terreno no chamado lugar da Cruz de Cassoa, junto ao Adro dos Enforcados ( um terreno, já fora da muralha fernandina, perto do Olival, onde eram sepultados os criminosos sentenciados á forca e os que morriam fora da religião, e onde mais tarde seria construída, não sem alguma polémica, a casa dos Clérigos e a Torre; por essa razão, aquele adro foi mudado para outro lugar, nos terrenos do Hospital de Sto. António.
A execução deste grandioso projecto, foi confiada, nesse mesmo ano, a Nasoni; das obras encarregou-se o mestre pedreiro António Pereira, substituído pouco depois pelos mestres Miguel Francisco e Miguel António de Sousa, devido a dificuldades surgidas durante a construção. Exteriormente , a Igreja ( assente sobre uma sapata de 4 metros de altura, devido ao declive do terreno ) tem forma octogonal, com entrada entrada principal do lado esquerdo ( voltada para a R. de S. Filipe de Nery ). A Frontaria de um barroco luxuriante ( Por barroquismo, ou arte barroca, entende-se o tipo de arte que surgiu entre nós, nos séculos XVII e XVIII e que se caracteriza pela abundância de decoração, pelo deslumbramento da mesma. ) e um pouco destacada do templo, está dividida em dois níveis ; no primeiro, abrem-se duas janelas laterais com ornatos vegetais e um janelão central, por baixo do qual está um portal com frontão, que dá acesso à capela de N. Sra. da Lapa, na cripta da igreja, mas sem acesso directo.
No segundo nível, destaca-se outro janelão, a meio, em cuja parte inferior figura a tiara papal ; ladeiam-no dois nichos, com sobrecéu em forma de concha, com as imagens de S. Pedro e S. Filipe de Nery, em calcário ; remata o conjunto um frontão triangular e emoldurado, em cujo tímpano figura um medalhão com o monograma AM ( Avé Maria ) , as chaves de S. Pedro e a tiara papal, erguendo-se no topo a cruz patriarcal, ladeada de fogaréus. O acesso á igreja , faz-se por uma escada dupla, de balaústres, decorada com vasos floridos e fogaréus, ao cimo da Rua dos Clérigos; seguem-se um pátio e galerias que ladeiam o edifício.
Interiormente , a igreja iluminada por 12 grandes festas , é de uma só nave e de forma elíptica, entalada entre dois blocos rectangulares ; o da capela-mor e o da fachada ; aos lados tem corredores. A abóbada , dividida por arcos, é ornada, ao centro, por um escudo com motivos semelhantes aos do tímpano da fachada. A capela - mor ( que substituiu , em 1767, a original, por ser exígua ) , tem um retábulo de mármore de várias cores e proveniências, destacando-se no trono a imagem de N. Sra. da Assunção, padroeira da igreja, e os dois coretos com belos órgãos.
Retábulo da CAPELA-MOR - Assim se chama a zona atrás do altar-mor, típico da tradição portuguesa, avulta o TRONO, feito de mármore de quatro cores, é obra do arquitecto, Manuel dos Santos Pedro. Servia para colocar a CUSTÓDIA, na exposição solene do SSmo. Sacramento e colocar a Padroeira em destaque. Enrolada há uma tela do pintor Joaquim Rafael. Abaixo do TRONO, estão as relíquias do Mártir Santo Inocêncio.
MÁRTIR SANTO INOCÊNCIO - Em 1752, vieram de Roma, as relíquias ( os ossos e o sangue que derramou no martírio ) de Santo Inocêncio. A oferta foi feita por D. Tomás de Almeida á Irmandade dos Clérigos. Numa carta que se conserva no Arquivo, diz que se oferece essa urna com todos os ossos do mártir Inocêncio e o sangue que derramou no martírio ; preparou-se uma grande festa para a recepção das relíquias. Em 24 de Março de 1752 aportavam, " á Barra da Foz desta cidade estas insignes relíquias, resguardadas em uma decente urna de fino cristal e do mais polido bronze, dentro do qual se divisavam não só a veneranda caveira do Invictissimo mártir, com todos os seus dentes, mas também os distintos ossos artificiosamente acomodados e no meio há um vaso de vidro com o seu próprio sangue congelado e incorrupto ". O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, informa que guardou no seu cartório o documento enviado de Roma, no qual se garante a autenticidade da relíquia.
Vários altares laterais preenchem o corpo do templo, ricamente decorado com talhas, painéis e retábulos de algum valor artístico, e são de estilo " barroco-rocócó ".
SENHOR dos ESQUECIDOS da SALVAÇÃO - Como é sabido, na casa dos Clérigos, funcionou uma enfermaria para os Clérigos pobres. Ainda resta uma inscrição na pedra sobre a entrada do andar superior, que diz em latim: " não deixes de visitar os doentes " . Esta enfermaria, dispunha de três camas, no topo norte tinha um andar, com um grande crucifixo que era conhecido por Senhor dos Esquecidos da Salvação.
A Casa dos Clérigos, foi construída em terrenos cedidos e adquiridos pela Irmandade, no referido Adro dos Enforcados. Antes da abertura da R. da Assunção, em meados do séc. XIX, o edifício confinava com a muralha fernandina, tendo a abertura daquela rua obrigado a grandes obras de consolidação. ( visíveis na sapata existente ) para garantir a segurança da casa; quatro janelas com balaustradas correspondem ao espaço da secretaria; por cima, assentes em cachorros, ficam as janelas de sacada que iluminam a antiga enfermaria. Para o lado da R. de S. Filipe de Nery, a casa tem quatro andares ( sendo o último mais baixo e rasgado por janelas ) e uma porta com um disco oval radiado ( designada " porta do anjo " ), em cujo enfiamento se situam duas janelas de sacada e perfis recortados ; no ultimo andar tem uma cartela trabalhada e a data de 1758. Na zona correspondente capela-mor, tem uma grande janela, para dar iluminação, com saia, dividida em cinco secções, emoldurada e decorada. Interiormente a casa comporta salas diversas, sacristia e secretaria ( Casa do Despacho ), no segundo andar. A enfermaria deixou há muito de funcionar, tendo sido transformada em quartos de habitação dos padres professores de Teologia do Seminário.
A TORRE - ( esse "Porto espremido para cima" , na feliz expressão de Teixeira de Pascoais ) é sem dúvida, a mais admirável obra de arte arquitectónica de Nasoni e constitui a ultima fase desta imponente construção, tendo servido em tempos, como telégrafo comercial ( referente á navegação ) e relógio da cidade. No interior tem uma escada de caracol de 218 degraus ( contados, embora dependendo a sua contagem do lugar de onde se parte), que permite o acesso aos varandins abalaustrados do quinto andar.
A SUBIDA Á TORRE
Construída toda em cantaria lavrada com base quadrada e cunhais arredondados, mede 76 metros de altura e é composta por dois corpos: O principal formado por quatro andares, e o superior por dois. No primeiro andar, abre-se uma porta emoldurada e encimada por um medalhão ornado com uma legenda bíblica ( Há quem refira que o texto é de S. Paulo, na Carta aos Romanos. ) ; sobreposto á porta está um nicho com a imagem de S. Pedro. Neste primeiro andar as paredes, de granito, tem uma espessura de dois metros e vinte centímetros. Uma simples cornija separa o primeiro andar do segundo, no qual existe uma janela. No terceiro, há uma janela sineira, com frontão triangular, coberto por um entablamento, arqueado na frente, onde se vê um escudo com o monograma AM ( Ave-maria ) , coberto com as chaves de S. Pedro, existem quatro sineiras e aí está instalado o carrilhão de concerto, que utiliza 49 sinos. Um computador, controla o carrilhão, marcando as horas e debitando a música por meio de quatro processos. Está programado para tocar ao meio-dia e ás dezoito horas, e está ligado a um relógio atómico, na Inglaterra ou na Alemanha ; o computador capta as ondas emitidas e organiza as horas a partir desses relógios. O quarto andar tem, na frente, uma legenda bíblica e, na face oposta, uma varanda abalaustrada.
O corpo terminal da torre, mais estreito que o anterior, tem dois pisos; o primeiro é constituído por um elevado pedestal e rematado por um varandim abalaustrado, ornado com fogaréus, que forma a base do último andar, aberto em sineiras nas quatro faces. Remata todo o conjunto uma cúpula bolbosa e fogaréus nos cantos; uma cruz de ferro no topo, sobre uma esfera, completa a monumental torre.
Para além de toda esta construção, dignas de destaque são também algumas das ricas peças do rico espólio artístico e do tesouro da Irmandade dos Clérigos, desde os valiosos móveis da sacristia aos paramentos que se conservam na sala das sessões e a alguns objectos de prata e outras alfaias litúrgicas.
Merecem também referência alguns quadros, belos exemplares da pintura profana e religiosa, e o arquivo da instituição, valioso pela documentação relativa á igreja e á Irmandade dos Clérigos.
Ao visitar esta magnifica torre, no CORPO TERMINAL, ( O Local mais elevado ) , desvende, como Miguel Torga disse de Galafura, o " Belo absoluto ". ( Ver neste site Panorâmicas do Porto ).